domingo, 19 de setembro de 2010

SIMPLIFIQUE A SUA VIDA!


Simplifique sua vida!

Tudo o que é belo tende a ser simples. Afirmação generalizante? Não sei. O que sei é que a beleza anda de braços dados com a simplicidade. Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins. Vida que se ocupa de ser só o que é.

Não há conflito nas bromélias, não há angústia nas rosas, nem ansiedades nos jasmins. Cumprem o destino de florirem ao seu tempo e de se despedirem do viço quando é chegada a hora. São simples.

Não querem outra coisa, senão a necessidade de cada instante. Não há desperdício de forças, não há dispersão de energias. Tudo concorre para a realização do instante. Acolhem a chuva que chega e dela extraem o essencial. Recebem o sol e o vento, e morrem ao seu tempo.

Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade. A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa. É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora. Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa.

Já dizia o poeta: "Simplicidade é querer uma coisa só". Eu concordo com ele. O muito querer nos deixa complexos demais. Queremos muito ao mesmo tempo, e então nos perdemos no emaranhado dos desejos. Há o risco de que não fiquemos com nada, de que percamos tudo.

Aquele que muito quer corre o risco de nada ter, porque o empenho e o cuidado é que faz a realidade permanecer. O simples anda leve. Carrega menos bagagem quando viaja, e por isso reserva suas energias para apreciar a paisagem. O que viaja pesado corre o risco de gastar suas energias no transporte das malas. Fica preso, não pode andar pelo aeroporto, fica privado de atravessar a rua e se transforma num constante vigilante do que trouxe.

A simplicidade é uma forma de leveza. Nas relações humanas ela faz a diferença. O que cultiva a simplicidade tem a facilidade de tornar leve o ambiente em que vive. Não cria confusão por pouca coisa; não coloca sua atenção no que é acidental, mas prende os olhos naquilo que verdadeiramente vale à pena.

Pessoas simples são aquelas que se encantam com as coisas menores. Sabem sorrir diante de presentes simbólicos e sem muito valor material. A simplicidade lhe capacita para perceber que nem tudo precisa ter utilidade. E por isso é fácil presentear o simples.

Dar presentes aos complicados é um desafio. Não sabemos o que eles gostam, porque só na simplicidade é possível conhecer alguém. Só depois que as máscaras caem pelo chão e que os papéis são abandonados a gente tem a possibilidade de descobrir o outro na sua verdade.

Eu gostaria de me livrar de meus pesos. Queria ser mais leve, mais simples. Querer uma coisa só de cada vez. Abandonar os inúmeros projetos futuros que me cegam para a necessidade do momento. Projetos futuros valem à pena, desde que sejam simples, concretos e aplicáveis. Não gostaria que a morte me surpreendesse sem que eu tivesse alcançado a simplicidade. Até para morrer os simples têm mais facilidade. Sentem que chegou a hora, se entregam ao último suspiro e se vão.

Tenho uma intuição de que quando eu simplificar a minha vida, a felicidade chegará em minha casa, quando eu menos esperar.

QUEM SOU EU?

Quem sou eu??
Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.
A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam.
Eu sou o friozinho na barriga na descida da montanha-russa e dirigir em alta velocidade, sou a emoção do perigoso, desde que eu possa cobrir o risco.Sou sorriso tímido em algumas horas e gargalhada escancarada em outras. Sou o tesão de uma missão cumprida, com gostinho de quero-mais-ainda. Sou dívida paga. Sou uma piadinha boba bem contada. Sou adorar o meu trabalho. Sou falar com Deus bem baixinho à noite, e ir à igreja quando dá vontade. Sou uma música dançada coladinho. Sou um sorriso aberto de quem estava com saudades de me ver. Sou um pedido de segredo, com aquele olhar de confiança. Sou muitas amizades e amigos.
Sou uma mesa bem posta cheias de coisas boas pra comer sem culpa. Sou salada de tomate, strogonoff de frango, arroz soltinho, ovo com gema bem cozida, suco de laranja, vitamina de abacate, vinho bem doce, pizza de mussarela e danoninho. Sou carne nem mal, nem bem passada. E na sobremesa, eu sou um bolo de morango cheio de chantily e um sorvete de iogurte com amora. Sou doce de banana e muito, mas muito chocolate, de todo jeito. E sou ficar na cozinha preparando tudo isso e muito mais.
Sou a minha casa mais do que a rua,com todas as plantinhas no jardim e na beirada da janela. Sou olhar o céu da varanda com noite de lua cheia e estrelas brilhando, em tempo ameno, ouvindo música. Sou o meu quarto, cheio de fotos na parede e ursinhos de pelúcia. Sou a minha cama e dormir agarrada com o travesseiro. Sou a mesa e a cadeira do computador. Sou banho gelado em dia quente. Sou cremes, perfumes, batom marrom, lente de contato, presilhas, caixinhas encapadas e aspirina. Sou sapato baixo, meia fina, lingerie de renda, calça jeans e blusas coloridas. Sou pouca maquiagem, coque no dia-a-dia e cabelo solto e arrumado aos fins de semana. Sou milhares de relicários, as gavetas cheias de fotos, cartas, lembranças das quais eu não consigo me desfazer.
Sou uma idéia de organização que nunca se concretiza. Sou um NÃO gigante a grande parte das regras e um boom criativo e intuitivo na maior parte das vezes. Sou uma vida lotada de amigos, um sorriso simpático, compreensão acima de tudo, um abraço inesperado. Sou dizer e ouvir palavras que emocionam.
Sou a recusa de ficar ao lado de alguém só por ficar. Sou uma folha em branco pra desenhar e escrever o que tiver vontade.Sou segurar as lágrimas nos olhos. Sou calar pra não magoar, sou de deixar a poeira ficar bem baixinha pra depois conversar. Sou escrever quando o assunto é difícil. Sou gentilezas, carinhos e mimos. Sou dormir abraçada, um olhar arrebatador, uma palavra sussurrada no ouvido,uma loucura, um beijo roubado. Sou muito, muito beijo,muito abraço apertado, muito desejo, muito dialogo. Sou encostar a cabeça no peito pra ouvir o coração batendo, dengo até não poder mais. Sou insistir até o fim em uma paixão, até onde aguentar.
Sou a saudade de uma conversa no fim de tarde com o meu avô. A saudade do colo da minha mãe, a saudade da risada do meu pai. Sou ficar tentando lembrar do que eu sonhei toda manhã. Sou a saudade dos meus amigos de infância. Sou a saudade de pessoas que eu amei muito e que se foram.
Sou mais madrugada que manhã,mais campo que praia, mais silêncio que briga, mais escrever que ler. Sou mais ponderações que definições, mais momento que depois, mais violão que teclado, mais calma que desespero, mais medinho que pânico, mais calor do que frieza, mais comprimido que remédio via oral,mais park que shopping, mais cachorro-quente que hamburguer, mais crianças que adultos, mais Matemática que Português, mais interior que exterior, mais dar presente que receber, mais caminhar que correr, mais música que pintura, mais dança que ginástica, mais encontro que telefonema, mais poesia que prosa, mais trabalho que descanso, mais “vila” que centro, mais sim que não. Sou mais sonho que realidade. E muito, mas muito mais emoção que razão.
Sou assistir um filme debaixo da coberta num dia frio. Ligar o rádio bem alto enquanto arrumo a casa. Andar de mãos dadas num park no friozinho calmo de outono.Surpreender e ser surpreendida. Contar histórias pras crianças. Ouvir palavras doces e elogios sinceros. Comer manga lambuzando. Receber ligação no celular durante o dia. Gritar gol no estádio. Descobrir que eu estava certa. Ser desculpada quando piso na bola. Cheiro de neném.

Sou a soma de tudo isso, e infinitamente mais. E sou toda coração. Toda. E além de tudo isso, sou eu mesma. E gosto demais de saber quem eu sou de verdade.
E você, quem é?